Luiz Gustavo Anjos
Profissional da AtlasGov.
A Governança corporativa é fundamental na estrutura de qualquer grande organização. Ela permite obter resultados mais eficientes e impede o conflito de interesses entre administradores e stakeholders (acionistas, investidores e demais partes interessadas). Seu mau funcionamento, por outro lado, pode gerar problemas enormes. Por isso, sua empresa precisa conhecer todas as falhas na Governança corporativa para evitá-las desde já.
Assim sendo, sem mais delongas, confira abaixo os erros mais cometidos na Governança corporativa:
A primeira falha na governança corporativa a se mencionar é a falta de independência do Conselho. Este colegiado é responsável por controlar o leme da organização. Suas reuniões deliberativas determinam a direção para a qual a empresa caminhará e sua independência assegura a diversidade de ideias nas discussões. Contudo, a eficácia desse grupo é colocada em risco a partir do momento que seus membros passam a ser influenciados por fatores externos. Incentivar ideias disruptivas, por exemplo, pode fazer com que outros membros do conselho se sintam encorajados a participar mais ativamente.
Mas, afinal, que influências podem ser essas? Imagine o seguinte:
Em um dia comum de reunião, o Conselho Administrativo de uma empresa se reúne sob orientação de uma autoridade (pode ser o presidente do Conselho, o CEO/Diretor, um investidor majoritário, entre outros). Caso a postura dessa pessoa seja mais impositiva do que sugestiva, os conselheiros podem se sentir acuados nas discussões. Facilmente, dessa maneira, com olhares e cacoetes aqui e acolá, perde-se tanto a independência do Conselho quanto sua capacidade de “pensar fora da caixa” a partir da multiplicidade de opiniões.
Outro exemplo é o caso do Presidente do Conselho que expressa seus pensamentos antes dos demais conselheiros. Tal prática não é indicada, pois pode despertar um “efeito rebanho” no colegiado.
Quando falamos sobre falhas na governança corporativa, não podemos deixar de mencionar a falta de comunicação. A comunicação é importantíssima para a humanidade, pois o ser humano é um animal político, carente de relacionamentos. Você já assistiu Náufrago, estrelado por Tom Hanks? No filme, ao se sentir solitário, o protagonista criou o icônico Wilson, aquela bola com um rostinho vermelho para que pudesse ter alguém com quem se relacionar. Isso revela o quão primordial é a comunicação para um indivíduo – ele sequer poderia viver sem ela.
Na sua organização não é diferente. Na verdade, o buraco é ainda mais em baixo. A comunicação entre os times é relevante não só por essa questão, mas, principalmente, para evitar pequenos ruídos com força para gerar grandes consequências. Alinhamentos constantes impedem a existência de um “telefone sem fio”, um “diz que me diz”, capaz de fazer da sua empresa uma nova Torre de Babel.
Em 2017, a agência de crédito estadunidense Equifax sofreu um dos maiores crimes cibernéticos já vistos no mundo. Dados confidenciais de 147,9 milhões de norte-americanos, 15,2 milhões de britânicos e cerca de 19 mil canadenses foram violados. O ataque se deu por meio de uma brecha no software da Apache Struts, usado pela Equifax para hospedagem. A falha foi corrigida, porém a organização não fez atualização em seus servidores, possibilitando o desastre.
Esse é só um dos diversos outros acidentes em empresas que poderíamos citar. E, para que sua organização possa se precaver de entrar nessa lista, é indispensável a elaboração de uma Matriz de Riscos. Só de não a fazer, as chances de uma instituição sofrer alguma desgraça se tornam maiores – o que é uma gigante omissão da governança.
A Matriz de Riscos elenca as inúmeras ameaças à sua organização, das maiores para as menores e das mais possíveis de acontecer para as menos prováveis. Com essas informações, sua empresa enxergará o que deve fazer para se prevenir de catástrofes e por onde começar. Não ter uma matriz de riscos é uma grave falha na governança corporativa.
Absolutamente todas as ações e deliberações tomadas pela organização precisam ser apresentadas de forma clara e simples aos interessados, sejam eles investidores, órgãos regulamentadores, clientes etc. Quando algo é decidido logicamente, com base em dados de mercado, e devidamente documentado, a informação tende a ser mais acessível.
Isso concede credibilidade ao negócio e fortalece os relacionamentos com os stakeholders. O contrário disso, logicamente, é um equívoco, passível de punições, e enquadra-se dentro das principais falhas na governança corporativa.
O Código de Conduta é necessário para estabelecer, de forma clara a todos os colaboradores, o que é permitido ou não nos ambientes da empresa. Ele apresenta categoricamente os limites da atuação de cada integrante da organização. Não o ter é o mesmo que deixar o sucesso de sua empresa reservada ao acaso. Esta á a quinta falha na governança corporativa.
Por isso, é aconselhável que seu empreendimento elabore um Código de Conduta a partir de suas convicções. E que tipo de pensamentos podem reger isso? No caso da Atlas, por exemplo, existem 4 valores: clientecentrismo, capital humano, segurança e qualidade. Sobre esses pilares é que a Atlas estrutura sua cultura e seus manuais de conduta.
Outra boa sugestão é recompensar o comportamento adequado. Aqui na Atlas existe uma premiação chamada “Dólar Atlas”, em que alguns colaboradores são reconhecidos por outros com base nos pilares da empresa.
As regras e valores de uma empresa se tornam inúteis sem que se tenham fiscalizações do cumprimento desses padrões. É como um professor que fala aos seus alunos para não colarem na prova, mas deixa-os sozinhos fazendo a atividade na sala enquanto vai tomar um cafezinho no refeitório. Por isso, é importante ter o acompanhamento de órgãos responsáveis pelo monitoramento dos processos na sua organização. Desta maneira, ela estará evitando uma considerável falha na governança corporativa.
A corrupção sempre é um elemento presente na Matriz de Riscos. Todos sabem que é errado, mas, ainda assim, continua a acontecer em diversos lugares. Não há nenhum ser humano perfeito e seu negócio deve ter isso em mente. Portanto, normas internas anticorrupção são uma alternativa apropriada para evitar essa falha na governança corporativa.
Uma aplicação prática, neste caso, pode ser simplesmente a implementação de um Código de Conduta, que incluísse normas anticorrupção.
Na atualidade, os ataques cibernéticos estão cada vez mais recorrentes, tal como têm tomado a atenção de Conselhos de administração no mundo inteiro. O e-mail deixou de ser um meio confiável para troca de informações confidenciais. Uma grande falha da governança é deixar de buscar uma solução para esse risco.
Você já ouviu falar nos softwares de governança? Eles são ferramentas voltadas para atender as principais necessidades do dia a dia na gestão de conselhos e comitês. Os melhores portais do mercado contam com criptografia de nível bancário, duplo fator de autenticação, marca d’água, gerenciamento de seções ativas e muitos outros fatores de segurança para o acesso a informações sensíveis. A governança da sua empresa já tem buscado recursos para se proteger?
A digitalização da governança é uma tendência com muitos benefícios entre grandes organizações como a Riachuelo, Eletrobrás, Banco do Nordeste, Cyrela e várias outras.
“Tempo é dinheiro”, diz o famoso ditado popular – e, realmente, a frase está certíssima. Na agenda do Conselho e nas reuniões, todo tempo perdido com questões banais é dinheiro da empresa sendo mal-gasto. Por esse motivo, deve-se ter agilidade e organização na preparação dos encontros, bem como as reuniões devem ser conduzidas com foco, respeitando o tempo de cada pauta e visando sempre as tomadas de decisões.
E como ser organizado no planejamento das reuniões para evitar a perda de tempo? Isso nos leva ao tópico seguinte:
Neste aspecto, há duas partes que precisam desempenhar suas funções com excelência: o Presidente do Conselho, de um lado, tem o dever de ceder os materiais de estudos para os membros do colegiado com antecedência (de preferência uns 7 dias antes); os conselheiros, do outro, precisam estudar previamente a pauta a ser discutida.
Já imaginou se seus ouvidos tivessem um desentendimento com seus olhos? E como seria se seus braços não desejassem mais conduzir suas mãos? É meio difícil de idealizar isso, não é? Pois bem… Sua organização é feita de diversas partes com funções diferentes, mas que se complementam. Uma não funcionaria tão bem sem a outra. Desse jeito, a integração entre Conselho Fiscal, Comitê de Gestão de Riscos e Auditoria é algo a ser observado.
O Conselho Fiscal é a parte responsável por monitorar o Conselho de Administração, garantindo que não haja irregularidades e que o colegiado não tome decisões que afetem a empresa. Já o Comitê de Gestão de Riscos e Auditoria trabalha para que a empresa tenha uma visão estratégica voltada para as possibilidades do futuro, tal como analisa cuidadosamente os processos internos da empresa e fornece informações para o Conselho de Administração.
Juntos, esses grupos desempenham papel essencial para a existência da organização. Porém, quando desalinhados, eles se tornam algo como uma orquestra totalmente desorganizada, sem ritmo, beleza e harmonia – uma tremenda falha na Governança corporativa.
Inúmeras organizações passaram a usar softwares de governança que descomplicam seus processos administrativos como uma solução contra todos esses erros.
E quando se trata de governança, o maior contratempo para muitas empresas não é o dinheiro investido, mas todo o tempo dos conselheiros para aprender a usar uma ferramenta que, talvez, não vai ser efetivamente implementada.
O risco de segurança que um portal amador pode trazer também é um enorme problema. Assim, é extremamente importante saber como escolher um portal de governança.
Profissional da AtlasGov.